They spoke to me of people, and of humanity.
But I've never seen people, or humanity.
I've seen various people, astonishingly dissimilar,
Each separa… - Fernando Pessoa
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They spoke to me of people, and of humanity. But I've never seen people, or humanity. I've seen various people, astonishingly dissimilar, Each separated from the next by an unpeopled space.
Fernando Pessoa (13 June 1888 – 30 November 1935) was a Portuguese poet and writer, most of whose work was published posthumously. He wrote frequently under heteronyms, alter egos with developed personalities, biographies, jobs, habits, attitudes, addresses, etc., who sometimes quoted and interacted with each other and other people.
Portrait adapted from
Wikimedia Commons, S.A. e Maria José de Lencastre (Public domain / CC0)
Also Known As
Pen Names:
Alberto Caeiro
•
Álvaro de Campos
•
Ricardo Reis
•
Bernardo Soares
Native Name:
Fernando António Nogueira Pessoa
Alternative Names:
Fernando Antonio Nogueira Pessoa
I still remember — so vividly I can smell the gentle fragrance of the spring air — the afternoon when I decided, after thinking everything over, to abdicate from love as from an insoluble problem. it was in May, a May that was softly summery, with the flowers around my estate already in full bloom, their colors fading as the sun made its slow descent. Escorted by regrets and self-reproach, I walked among my few trees, I had dined early and was wandering, like a symbol, under the useless shadows and faint rustle of leaves. And suddenly I was overwhelmed by a desire to renounce completely, to withdraw once and for all, and I felt an intense nausea for having had so many desires, so many hopes, with so many outer conditions for attaining them and so much inner impossibility of really wanting to attain them.
Oh, the continual drunken diversity of flights and departures! Eternal soul of navigators and their navigations!
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Poema em Linha Reta Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó principes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.