Concordo em que Shakespeare não tenha sido nem Macbeth, nem Hamlet, nem Otelo; mas ele teria sido esses personagens diversos se as circunstâncias por… - Henri Bergson

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Concordo em que Shakespeare não tenha sido nem Macbeth, nem Hamlet, nem Otelo; mas ele teria sido esses personagens diversos se as circunstâncias por um lado, e por outro o consentimento de sua vontade, houvessem levado ao estado de erupção
violenta o que nele não passava de impulso interior. E enganar-se estranhamente sobre o papel da imaginação poética acreditar que ela compõe seus heróis com pedaços tirados aqui e ali em torno dela, como para costurar uma roupa de arlequim. Nada de vivo sairia disso. A vida não se recompõe. Ela simplesmente se deixa contemplar. A imaginação poética só pode ser uma visão completa da realidade. Se os personagens criados pelo poeta nos dão a impressão de vida, é que são o próprio poeta, o poeta multiplicado, o poeta aprofundando-se a si mesmo num esforço de observação interior tão poderoso que capta o virtual no real e retoma o que a natureza deixou nele em estado de esboço ou de simples projeto para dele fazer uma obra completa.

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About Henri Bergson

Henri-Louis Bergson (18 October 1859 – 4 January 1941) was a major French philosopher, influential in the first half of the 20th century. He was awarded the 1927 Nobel Prize in Literature.

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Additional quotes by Henri Bergson

Mesmo para aqueles dentre nós que ela fez artistas, foi por acaso, e apenas parcialmente, que ela levantou o véu. Apenas numa direção ela esqueceu de ligar a percepção à necessidade. E como cada direção corresponde ao que chamamos de sentido, é por um desses sentidos, e apenas por esse sentido, que o artista em geral se consagra à arte. Daí, na origem, a diversidade das artes. Daí também a especialidade das
predisposições. Um artista se aplicará às cores e às formas, e como ama a cor pela cor, a forma pela forma, como as percebe por elas e não para ele, é a vida interior das coisas que ele verá transparecer através de suas formas e cores. Ele fará a vida entrar aos poucos em nossa percepção a princípio confundida. Por um momento pelo menos ele nos desligará dos preconceitos de forma e cor que se interpunham entre nosso olho e a realidade. E realizará assim a mais alta ambição da arte, que é no caso a de nos revelar a natureza.

Well, what nature does from time to time, by distraction, for certain privileged individuals, could not philosophy on such a matter attempt, in another sense and another way, for everyone? Would not the role of philosophy under such circumstances be to lead us to a completer perception of reality by means of a certain displacement of our attention? It would be a question of turning this attention aside from the part of the universe which interests us from a practical viewpoint and turning it back toward what serves no practical purpose. This conversion of the attention would be philosophy itself. At first glance it would seem that this has long since been done. More than one philosopher has in fact said that in order to philosophize he had to be detached, and that speculation was the reverse of action. We were speaking a few moments ago of the Greek philosophers: not one of them expressed the idea more forcefully than Plotinus. “All action,” he said (and he even added “all fabrication”) “weakens contemplation.

As we have said, when one wishes to prepare a glass of sugared water one is obliged to wait until the sugar melts. This necessity for waiting is the significant fact. It shows that if one can cut out from the universe the systems for which time is only an abstraction, a relation, a number, the universe itself becomes something different. If we could grasp it in its entirety, inorganic but interwoven with organic beings, we should see it ceaselessly taking on forms as new, as original, as unforeseeable as our states of consciousness.

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