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" "Se a realidade viesse atingir diretamente nossos sentidos e nossa consciência, se pudéssemos entrar em comunicação imediata com as coisas e com nós mesmos, estou certo de que a arte seria inútil, ou antes, que seríamos todos artistas, porque nossa alma vibraria então continuamente em uníssono com a natureza. Nossos olhos, ajudados pela
memória, recortariam no espaço e fixariam no tempo quadros inimitáveis. Nosso olhar captaria de passagem, esculpidos no mármore vivo do corpo humano, fragmentos de estátua tão belos como os da estatuária antiga. Ouviríamos cantar no fundo de nossas almas, como música por vezes alegre, o mais das vezes lamentosa, sempre original, a melodia ininterrupta de nossa vida interior. Tudo isso está em torno de nós, tudo isso está em nós, e no entanto nada de tudo isso é percebido por nós distintamente. Entre a natureza e nós, apenas? Entre nós e nossa própria consciência um véu se interpõe, espesso para o comum dos homens, leve e quase transparente para o artista e o poeta. Que fada teceu esse véu? Terá sido por malícia ou amizade? Impunha-se viver, e a vida exige que apreendamos as coisas na relação que elas mantêm com nossas necessidades. Viver consiste em agir. Viver é aceitar dos objetos só a impressão útil para a eles reagir de modo adequado: as demais impressões devem se obscurecer ou só nos chegarem confusamente. Enxergo o que creio ver, escuto o que creio ouvir, analiso-me e creio ler no fundo do meu peito. Mas o que vejo e o que ouço do mundo exterior é simplesmente o que meus sentidos extraem dele para esclarecer minha conduta; o que conheço de mim mesmo é o que aflora à superfície, o que toma parte na ação. Meus sentidos e minha consciência só me proporcionam da realidade uma simplificação prática. Na visão que me dão das coisas e de mim mesmo, as diferenças inúteis ao homem são apagadas, as semelhanças úteis ao homem são acentuadas, as vias me são traçadas de antemão por onde minha ação enveredará. Essas são as mesmas pelas quais t
Henri-Louis Bergson (18 October 1859 – 4 January 1941) was a major French philosopher, influential in the first half of the 20th century. He was awarded the 1927 Nobel Prize in Literature.
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I say that there are pseudo-problems, and that they are the agonizing problems of metaphysics. I reduce them to two. One gave rise to theories of being, the other to theories of knowledge. The first false problem consists in asking oneself why there is being, why something or someone exists. The nature of what is is of little importance; say that it is matter, or mind, or both, or that matter and mind are not self-sufficient and manifest a transcendant Cause: in any case, when existences and causes are brought into consideration and the causes of these causes, one feels as if pressed into a race — if one calls a halt, it is to avoid dizziness. But just the same one sees, or thinks one sees, that the difficulty still exists, that the problem is still there and will never be solved. It will never, in fact, be solved, but it should never have been raised. It arises only if one posits a nothingness which supposedly precedes being. One says: “There could be nothing,” and then is astonished that there should be something — or someone. But analyze that sentence: “There could be nothing.” You will see you are dealing with words, not at all with ideas, and that “nothing” here has no meaning. “Nothing” is a term in ordinary language which can only have meaning in the sphere, proper to man, of action and fabrication. “Nothing” designates the absence of what we are seeking, we desire, expect. Let us suppose that absolute emptiness was known to our experience: it would be limited, have contours, and would therefore be something. But in reality there is no vacuum.
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De um mal entendido sobre isso é que nasceu a celeuma entre o realismo e o idealismo na arte. Sem dúvida, a arte nada mais é que uma visão mais direta da realidade. Mas essa pureza de percepção implica uma ruptura com a convenção utilitária, um desprendimento inato e especificamente localizado do sentido ou da consciência, enfim, certa imaterialidade de vida, que vem a ser o que sempre se chamou de idealismo. Por conseguinte, pode-se afirmar, sem jogar de modo algum com o sentido das palavras, que o realismo está na obra quando o idealismo está na alma, e que só à força de idealidade se toma contato com a realidade.