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" "Ã noite, depois do chá, refugiava-me no oratório, como numa fortaleza de santidade, embebia os meus olhos no corpo de ouro de Jesus, pregado na sua linda cruz de pau preto. Mas então o brilho fulvo do metal precioso ia, pouco a pouco, embaciando, tomava uma alva cor de carne, quente e tenra; a magreza de Messias triste, mostrando os ossos, arredondava-se em formas divinamente cheias e belas; por entre a coroa de espinhos, desenrolavam-se lascivos anéis de cabelos crespos e negros; no peito, sobre as duas chagas, levantavam-se, rijos, direitos, dous esplêndidos seios de mulher, com um botãozinho de rosa na ponta; e era ela, a minha Adélia, que assim estava no alto da cruz, nua, soberba, risonha, vitoriosa, profanando o altar, com os braços abertos para mim!
José Maria de Eça de Queiroz (or Eça de Queirós) (November 25, 1845 – August 16, 1900) was a Portuguese novelist, short-story writer, travel-writer, critic and diplomat. His novels, which are often compared to those of Balzac, Flaubert and Zola, satirize the Portuguese bourgeoisie and priesthood.
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Era ainda a enorme D. Amália Saraiva, a que também já me referi neste trabalho: os seios fenomenais desta senhora, que se iam desenvolvendo progressivamente com os anos, pareciam dois mundos. Quando desapertasse o vestido fortemente espartilhado que os continha, o trasbordar daquelas duas prodigiosas massas de tecido celular devia ser um espetáculo pavoroso e grandioso!
E poi è crudele, ed è necessario dirlo: c’è sempre un momento in cui una donna chiede a se stessa se realmente siano state le grandi qualità morali del suo amante a soggiogarla. Perché in quel caso ci sarebbero delle giustificazioni. E c’è una profonda umiliazione nella nostra coscienza quando arriviamo a convincerci che se amiamo un uomo non è stata solo la nobiltà delle sue idee e l’ideale dei suoi sentimenti a dominarci, ma un non-so-che, in cui c’entra forse il colore dei suoi capelli e il nodo della sua cravatta. Siamo franche, perché mascherare la pochezza delle nostre inclinazioni? Perché colorare di ideali l’origine volgare delle nostre preferenze? Non voglio dire che l’integrità morale non sia un poderoso incentivo alla simpatia istintiva, ma ciò che in realtà ci colpisce è l’aspetto esteriore di un uomo. Tutte coloro che leggeranno queste dolorose confidenze si consultino nel silenzio del proprio cuore e dicano che cosa ha suscitato in loro quella sensazione: se è stato il carattere o l’aspetto. E le più franche diranno che nella vita influisce forse di più il colore del frac che la grandezza d’animo.
Mas quando, depois de acariciar os rafeiros no pátio, desembocávamos da alameda de plátanos, e diante de nós se dividiam matutinamente, mais brancos entre o verde matutino, os caminhos coleantes da quinta, toda a sua pressa findava, e penetrava na Natureza com a reverente lentidão de quem penetra num templo. E repetidamente sustentava ser «contrário à Estética, à Filosofia, e à Religião andar depressa através dos campos». De resto, com aquela subtil sensibilidade bucólica que nele se desenvolvera, e incessantemente se afinava, qualquer breve beleza, do ar ou da terra, lhe bastava para um longo encanto. Ditosamente poderia ele entreter toda uma manhã, caminhar por entre um pinheiral, de tronco a tronco, calado, embebido no silêncio, na frescura, no resinoso aroma, empurrando com o pé as agulhas e as pinhas secas. Qualquer água corrente o retinha, enternecido naquela serviçal actividade, que se apressa, cantando, para o torrão que tem sede, e nele se some, e se perde. E recordo ainda quando me reteve meio domingo, depois da missa, no cabeço, junto a um velho curral desmantelado, sob uma grande árvore, - só porque em torno havia quietação, doce aragem, um fino piar de ave na ramaria, um murmúrio de regato entre canas verdes, e por sobre a sebe, ao lado, um perfume, muito fino e muito fresco, de flores escondidas.