Amigo mío, tú puedes tener socialmente todas las virtudes; pero, según la religión de nuestros padres, todas las virtudes que no son católicas son inútiles y perniciosas. Ser trabajador, casto, honrado, justo, veraz, son grandes virtudes; pero para los curas y para la Iglesia no cuentan. Si tú eres un modelo de bondad, pero no vas a misa, no ayunas, no te confiesas, no te descubres ante el señor cura… eres simplemente un sinvergüenza.
1845 – 1900
José Maria de Eça de Queiroz (or Eça de Queirós) (November 25, 1845 – August 16, 1900) was a Portuguese novelist, short-story writer, travel-writer, critic and diplomat. His novels, which are often compared to those of Balzac, Flaubert and Zola, satirize the Portuguese bourgeoisie and priesthood.
From: Wikiquote (CC BY-SA 4.0)
- Falhamos a vida, menino!
- Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «vou ser assim, porque a beleza está em ser assim». E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Ás vezes melhor, mas sempre diferente.
(Prayer is) a fictitious consolation invented by those who have everything in order to keep those who have nothing contented. I belong to the bourgeoisie and I know the only reason my class bothers to show the lower classes that distant paradise full of ineffable pleasures that will one day be theirs is to divert attention from their own bulging coffers and from the abundance of their harvests.
Porque agora, eu estava bem decidido a não deixar ir para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do Comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os seus tesouros incontáveis; as sombrias catedrais de mármore, que atulham a terra e a entristecem; as inscrições, os papeis de credito que a piedade humana constantemente averba em seu nome; as pás de ouro que os Esdados, reverentes, lhe depositam aos pés trespassados de pregos; as alfaias, os cálices, e os botões de punho de diamantes que ele usa na camisa, na sua Igreja da Graça? E ainda voltava, do alto do madeiro, os olhos vorazes para um bule de prata, e uns insípidos prédios da Baixa! Pois bem! Disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu, ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, e eu adorando essa chaga, com tanto ruído e tanto fausto, que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti que morreste por nos amar de mais, se em mim que quero morrer por não te saber amar bastante!. . . Assim pensava olhando de través o céu, no silencio da Rua de São Lázaro.
De que te serviu o ser, o que fizeste ao sangue, à vontade, aos nervos, ao pensamento, que trouxeste do seio da matéria? Que ideia deixaste, que memória, que piedade? Que foste tu mais do que um corpo belo, desejado e fotografado? Fizeste parte, durante a vida, daquelas insensíveis belezas naturais, que o homem usa e arremessa. Foste como uma camélia, ou como a pena de um pavão. Foste um adorno, não foste um carácter. Nunca tiveste um lugar definido na vida, como não terás um túmulo certo na morte! Adeus, pois, para sempre, oh doce efémera! O teu destino é a dispersão!
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Os dois amigos lançaram o passo, largamente. E Carlos, que arrojára o charuto, ia dizendo na aragem fina e fria que lhes cortava a face: — Que raiva ter esquecido o paiosinho! Emfim, acabou-se. Ao menos assentamos a theoria definitiva da existencia. Com effeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ancia para coisa alguma...
Ega, ao lado, ajuntava, offegante, atirando as pernas magras: — Nem para o amor, nem para a gloria, nem para o dinheiro, nem para o poder...
A lanterna vermelha do «americano», ao longe, no escuro, parára. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço: — Ainda o apanhamos! — Ainda o apanhamos!
De novo a lanterna deslisou e fugiu. Então, para apanhar o «americano», os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia.