"Além disso, ele reconhecia que a caridade era a melhor instituição do Estado. Quanto ao pauperismo, tinha-o como uma fatalidade social: fossem quais… - Eça de Queirós
"Além disso, ele reconhecia que a caridade era a melhor instituição do Estado. Quanto ao pauperismo, tinha-o como uma fatalidade social: fossem quais fossem as reformas sociais, dizia, haveria sempre pobres e ricos: a fortuna pública deveria estar naturalmente toda nas mãos de uma classe, da classe ilustrada, educada, bem nascida. Só deste modo se podem manter os Estados, formar as grandes indústrias, ter uma classe dirigente forte, por possuir o ouro e base da ordem social.
Isto fazia necessariamente que parte da população "tiritasse de frio e rabiasse de fome". Era certamente lamentável, e ele, com o seu grande e vasto coração que palpitava a todo o sofrimento, lamentava-o. Mas a essa classe devia ser dada a esmola com método e discernimento: - e ao Estado pertencia organizar a esmola.
Porque o Conde censurava muito a caridade privada, sentimental, toda de espontaneidade. A caridade devia ser disciplinada, e, por amor dos desprotegidos regulamentada: por isso queria o Asilo, o Recolhimento dos Desvalidos, onde os pobres, tendo provado com bons documentos a sua miséria, tendo atestado bons atestados de moralidade, recebessem do Estado, sob a superintendência de homens práticos e despidos de vãs piedades, um tecto contra a chuva e um caldo contra a fome.
O pobre devia viver ali, separado, isolado da sociedade, e não ser admitido a vir perturbar com a expressão da sua face magra e com narração exagerada das suas necessidades, as ruas da cidade. "Isole-se o Pobre!" dizia ele um dia na Câmara dos Deputados, sintetizando o seu magnifico projecto para a criação dos Recolhimentos do Trabalho.
O Estado forneceria grandes casarões, com celas providas de uma enxerga, onde seriam acolhidos os miseráveis. Para conseguir a admissão, deveriam provar serem maiores de idade, haverem cumprido os seus deveres religiosos, não terem sido condenados pelos tribunais (isto para evitar que operários de ideias suversivas que, pela greve e pelo deboche, tramam a destruição do Estado, vi
About Eça de Queirós
José Maria de Eça de Queiroz (or Eça de Queirós) (November 25, 1845 – August 16, 1900) was a Portuguese novelist, short-story writer, travel-writer, critic and diplomat. His novels, which are often compared to those of Balzac, Flaubert and Zola, satirize the Portuguese bourgeoisie and priesthood.
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Additional quotes by Eça de Queirós
O Conde recusou com indignação.
Realmente a exigência era curiosa.
Virem aquele homem e aquela mulher de Penafiel, com os hábitos, os modos, as figuras, a fala de dois trabalhadores de Penafiel, viver numa casa onde se recebia a fidalguia de Lisboa, os representantes dos Reis estrangeiros, a flor da literatura, a Maioria!
Absurdo! Se o Conde, como ele dizia, não fosse um homem público, poderia sacrificar-se a essa companhia plebeia. Mas, como Estadista, a presença na sua casa daquele pai de feição reles, a comer o arroz com a faca, a escabichar os dentes com as unhas, a perguntar à s senhoras então como vai essa bizarria? com o seu catarro, cuja expectoração perpétua era repulsiva, só serviria para diminuair a autoridade moral do Conde e o prestígio do seu talento. Em nome dos superiores interesses do Estado, devia repelir aquela proposta.
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— Juras? Juras? — Juro, meu bichano! — E atraía-o, envolvia-o, enlouquecia-o, beijando-o com carícias que o abrasavam, e palavras que enfatuava: — Gosto tanto de ti, deste bochechinhas gordo. Fazes-me tão doida! Ah, monstro, tu bem o sabes, por isso abusas. Diz. Diz que gostas da tua Genovevinha. Diz. Mas diz-lho bem. Diz-lho ao ouvido. Diz-mo na boca... E Dâmaso arfava, soprava, sentindo fogo no sangue.