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" "A primeira vantagem da Universidade, como instituição social, é a separação que se forma naturalmente entre estudantes e futricas, entre os que vivem de revolver ideias ou teorias e aqueles que vivem do trabalho. Assim, o estudante fica para sempre penetrado desta grande ideia social: que há duas classes — uma que sabe, outra que produz. A primeira, naturalmente, sendo o cérebro, governa; a segunda, sendo a mão, opera, e veste, calça, nutre e paga à primeira. Dois mundos — como diz o nosso poeta Gavião — que se não podem confundir e que, vivendo à parte, com fins diferentes, caminham paralelamente na civilização, um com o título egrégio de Bacharel, outro com o nome emblemático de Futrica. Bacharéis são os políticos, os oradores, os poetas, e, por adopção tácita, os capitalistas, os banqueiros, os altos negociadores. Futricas são os carpinteiros, os trolhas, os cigarreiros, os alfaiates… O Bacharel, tendo consciência da sua superioridade intelectual, da autoridade que ela lhe confere, dispõe do mundo; ao Futrica resta produzir, pagar para que o Bacharel possa viver, e rezar ao Ser Divino para que proteja o Bacharel.
O Bacharel, sendo o Espírito, deve impedir que o Futrica, que é apenas a matéria, aspire a viver como ele, a pensar como ele, e, sobretudo, a governar como ele. Deve mantê-lo portanto no seu trabalho subalterno, que é o seu destino providencial. E isto porque um sabe e o outro ignora.
Esta ideia de divisão em duas classes é salutar, porque assim, educados nela, os que saem da Universidade não correm o perigo de serem contaminados pela ideia contrária — ideia absurda, ateia, destruidora da harmonia universal — de que o futrica pode saber tanto como sabe o bacharel. Não, não pode: logo as inteligências são desiguais, e assim fica destruído esse princípio pernicioso da igualdade das inteligências, base funesta de um socialismo perverso.
Outra vantagem da Universidade é a organização dos seus estudos. O estudante ganha o hábito salutar de aceitar sem disc
José Maria de Eça de Queiroz (or Eça de Queirós) (November 25, 1845 – August 16, 1900) was a Portuguese novelist, short-story writer, travel-writer, critic and diplomat. His novels, which are often compared to those of Balzac, Flaubert and Zola, satirize the Portuguese bourgeoisie and priesthood.
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E poi è crudele, ed è necessario dirlo: c’è sempre un momento in cui una donna chiede a se stessa se realmente siano state le grandi qualità morali del suo amante a soggiogarla. Perché in quel caso ci sarebbero delle giustificazioni. E c’è una profonda umiliazione nella nostra coscienza quando arriviamo a convincerci che se amiamo un uomo non è stata solo la nobiltà delle sue idee e l’ideale dei suoi sentimenti a dominarci, ma un non-so-che, in cui c’entra forse il colore dei suoi capelli e il nodo della sua cravatta. Siamo franche, perché mascherare la pochezza delle nostre inclinazioni? Perché colorare di ideali l’origine volgare delle nostre preferenze? Non voglio dire che l’integrità morale non sia un poderoso incentivo alla simpatia istintiva, ma ciò che in realtà ci colpisce è l’aspetto esteriore di un uomo. Tutte coloro che leggeranno queste dolorose confidenze si consultino nel silenzio del proprio cuore e dicano che cosa ha suscitato in loro quella sensazione: se è stato il carattere o l’aspetto. E le più franche diranno che nella vita influisce forse di più il colore del frac che la grandezza d’animo.