1845 – 1900
José Maria de Eça de Queiroz (or Eça de Queirós) (November 25, 1845 – August 16, 1900) was a Portuguese novelist, short-story writer, travel-writer, critic and diplomat. His novels, which are often compared to those of Balzac, Flaubert and Zola, satirize the Portuguese bourgeoisie and priesthood.
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Mas então essa confraternidade humana – pela sublime força da qual nada do que é humano deve ser alheio ao homem? Não existe? Oh, certamente – mas para todo o homem, mesmo o mais culto, a humanidade consiste essencialmente naquela porção de homens que residem no seu bairro. Todos os outros restantes, à maneira que se afastam desse centro privilegiado, se vão gradualmente desarmonizando em relação ao seu sentimento, de sorte que os mais remotos já quase os não distinguem da Natureza inanimada. Quando qualquer de nós, no seu quieto e salubre bairro, ouve contar que uma furiosa peste matou trinta mil patagónios, fica exactamente penetrado daquela quantidade de compaixão que o invadiria ao saber que um furacão derrubara trinta mil árvores de um bosque. E de um bosque muito longínquo, de uma região muito desconhecida! Porque se as árvores destruídas fossem as do nosso doce Bosque de Bolonha, que nós amamos, tão ornadas e verdes em Maio, tão puramente vestidas de branca neve quando o Inverno se faz elegante e fino – a nossa mágoa teria uma intensidade infinitamente mais viva do que com a aniquilação desses vastos milhares de patagónios.
Quem mais do que tu, sentiu, amou, estremeceu, corou, quis, venceu? Quantas lágrimas causaste! Quantas loucas palpitações! Quantos desejos para ti voaram como bandos de pombas! Quantas vozes perdidas te chamaram! Quanta fé fizeste renegar!
Quanta altivez fizeste sucumbir! E tanta vida, tanta ação, tanta vontade, um tão grande centro vital como tu foste, um grumete amarra-lhe duas balas aos pés e atira com ele ao mar! E aqui jaz o ruído do vento, e aqui jaz a espuma da onda! De que te serviu o ser, o que fizeste ao sangue, á vontade, aos nervos, ao pensamento, que trouxeste do seio da matéria? Que ideia deixaste, que memória, que piedade? Que foste tu mais do que um corpo belo, desejado e fotografado? Fizeste parte, durante a vida, daquelas insensíveis belezas naturais, que o homem usa e arremessa. Foste como uma camélia, ou como a pena de um pavão. Foste um adorno, não foste um caráter. Nunca tiveste um lugar definido na vida, como não terás um túmulo certo na morte! Adeus pois para sempre, oh doce efémera! o teu destino é a dispersão! Por isso aqui estás só! Os que te amaram onde estão?
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"Além disso, ele reconhecia que a caridade era a melhor instituição do Estado. Quanto ao pauperismo, tinha-o como uma fatalidade social: fossem quais fossem as reformas sociais, dizia, haveria sempre pobres e ricos: a fortuna pública deveria estar naturalmente toda nas mãos de uma classe, da classe ilustrada, educada, bem nascida. Só deste modo se podem manter os Estados, formar as grandes indústrias, ter uma classe dirigente forte, por possuir o ouro e base da ordem social.
Isto fazia necessariamente que parte da população "tiritasse de frio e rabiasse de fome". Era certamente lamentável, e ele, com o seu grande e vasto coração que palpitava a todo o sofrimento, lamentava-o. Mas a essa classe devia ser dada a esmola com método e discernimento: - e ao Estado pertencia organizar a esmola.
Porque o Conde censurava muito a caridade privada, sentimental, toda de espontaneidade. A caridade devia ser disciplinada, e, por amor dos desprotegidos regulamentada: por isso queria o Asilo, o Recolhimento dos Desvalidos, onde os pobres, tendo provado com bons documentos a sua miséria, tendo atestado bons atestados de moralidade, recebessem do Estado, sob a superintendência de homens práticos e despidos de vãs piedades, um tecto contra a chuva e um caldo contra a fome.
O pobre devia viver ali, separado, isolado da sociedade, e não ser admitido a vir perturbar com a expressão da sua face magra e com narração exagerada das suas necessidades, as ruas da cidade. "Isole-se o Pobre!" dizia ele um dia na Câmara dos Deputados, sintetizando o seu magnifico projecto para a criação dos Recolhimentos do Trabalho.
O Estado forneceria grandes casarões, com celas providas de uma enxerga, onde seriam acolhidos os miseráveis. Para conseguir a admissão, deveriam provar serem maiores de idade, haverem cumprido os seus deveres religiosos, não terem sido condenados pelos tribunais (isto para evitar que operários de ideias suversivas que, pela greve e pelo deboche, tramam a destruição do Estado, vi
Pouco a pouco esta certeza ergueu-se, petrificou-se na minha alma, e como uma coluna num descampado dominou toda a minha vida interior: de sorte que, por mais desviado caminho que tomassem, os meus pensamentos viam sempre negrejar no horizonte aquela memória acusadora; por mais alto que se levantasse o voo das minhas imaginações, elas terminavam por ir fatalmente ferir as asas nesse monumento de miséria moral.
E poi è crudele, ed è necessario dirlo: c’è sempre un momento in cui una donna chiede a se stessa se realmente siano state le grandi qualità morali del suo amante a soggiogarla. Perché in quel caso ci sarebbero delle giustificazioni. E c’è una profonda umiliazione nella nostra coscienza quando arriviamo a convincerci che se amiamo un uomo non è stata solo la nobiltà delle sue idee e l’ideale dei suoi sentimenti a dominarci, ma un non-so-che, in cui c’entra forse il colore dei suoi capelli e il nodo della sua cravatta. Siamo franche, perché mascherare la pochezza delle nostre inclinazioni? Perché colorare di ideali l’origine volgare delle nostre preferenze? Non voglio dire che l’integrità morale non sia un poderoso incentivo alla simpatia istintiva, ma ciò che in realtà ci colpisce è l’aspetto esteriore di un uomo. Tutte coloro che leggeranno queste dolorose confidenze si consultino nel silenzio del proprio cuore e dicano che cosa ha suscitato in loro quella sensazione: se è stato il carattere o l’aspetto. E le più franche diranno che nella vita influisce forse di più il colore del frac che la grandezza d’animo.
A primeira vantagem da Universidade, como instituição social, é a separação que se forma naturalmente entre estudantes e futricas, entre os que vivem de revolver ideias ou teorias e aqueles que vivem do trabalho. Assim, o estudante fica para sempre penetrado desta grande ideia social: que há duas classes — uma que sabe, outra que produz. A primeira, naturalmente, sendo o cérebro, governa; a segunda, sendo a mão, opera, e veste, calça, nutre e paga à primeira. Dois mundos — como diz o nosso poeta Gavião — que se não podem confundir e que, vivendo à parte, com fins diferentes, caminham paralelamente na civilização, um com o título egrégio de Bacharel, outro com o nome emblemático de Futrica. Bacharéis são os políticos, os oradores, os poetas, e, por adopção tácita, os capitalistas, os banqueiros, os altos negociadores. Futricas são os carpinteiros, os trolhas, os cigarreiros, os alfaiates… O Bacharel, tendo consciência da sua superioridade intelectual, da autoridade que ela lhe confere, dispõe do mundo; ao Futrica resta produzir, pagar para que o Bacharel possa viver, e rezar ao Ser Divino para que proteja o Bacharel.
O Bacharel, sendo o Espírito, deve impedir que o Futrica, que é apenas a matéria, aspire a viver como ele, a pensar como ele, e, sobretudo, a governar como ele. Deve mantê-lo portanto no seu trabalho subalterno, que é o seu destino providencial. E isto porque um sabe e o outro ignora.
Esta ideia de divisão em duas classes é salutar, porque assim, educados nela, os que saem da Universidade não correm o perigo de serem contaminados pela ideia contrária — ideia absurda, ateia, destruidora da harmonia universal — de que o futrica pode saber tanto como sabe o bacharel. Não, não pode: logo as inteligências são desiguais, e assim fica destruído esse princípio pernicioso da igualdade das inteligências, base funesta de um socialismo perverso.
Outra vantagem da Universidade é a organização dos seus estudos. O estudante ganha o hábito salutar de aceitar sem disc
Porque agora, eu estava bem decidido a não deixar ir para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do Comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os seus tesouros incontáveis; as sombrias catedrais de mármore, que atulham a terra e a entristecem; as inscrições, os papeis de credito que a piedade humana constantemente averba em seu nome; as pás de ouro que os Esdados, reverentes, lhe depositam aos pés trespassados de pregos; as alfaias, os cálices, e os botões de punho de diamantes que ele usa na camisa, na sua Igreja da Graça? E ainda voltava, do alto do madeiro, os olhos vorazes para um bule de prata, e uns insípidos prédios da Baixa! Pois bem! Disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu, ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, e eu adorando essa chaga, com tanto ruído e tanto fausto, que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti que morreste por nos amar de mais, se em mim que quero morrer por não te saber amar bastante!. . . Assim pensava olhando de través o céu, no silencio da Rua de São Lázaro.
Crime do Padre Amaro recebeu no Brazil e em Portugal alguma attenção da Critica, quando foi publicado ulteriormente um romance intitulado — O Primo Bazilio. E no Brazil e em Portugal escreveu-se (sem todavia se adduzir nenhuma prova effectiva) que O Crime do Padre Amaro era uma imitação do romance do snr. E. Zola — La Faute de l'Abbé Mouret; ou que este livro do auctor
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Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança – nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades.